segunda-feira, 16 de março de 2009

Palmela

A vila de Palmela teria sido fundada em 310 a. C., mas a terra seria ainda mais velha. Palmela parece ser o diminutivo de palma, palavra de raiz latina que tanto pode significar a folha da palmeira como vitória. Palma expressa também nome de mulher e palme, nome masculino, deu afinal o topónimo daquela freguesia.
Porém, pouco ou nada se sabe de Palmela antes da conquista de Lisboa por D. Afonso Henriques. Foi então abandonada pelos muçulmanos, sem qualquer resistência, e logo entrou na posse das hostes cristãs.
Perdido o Castelo de Palmela, foi de novo recuperado em 1165 e mandado reedificar o povoamento da vila. Certo é que em Março de 1170 o nosso primeiro rei conferia já carta de segurança e privilégios aos mouros de Lisboa, Almada, Alcácer e Palmela. Confirmada pela rainha D. Dulce em 1186 e em 1217 por D. Afonso II o que prova terem por ali ficado muitos dos vencidos.
É ainda D. Afonso Henriques quem, com seu filho D. Sancho, autoriza o foral a Palmela em Março de 1185 (era de César de 1223).
Edificado numa situação privilegiada, dominando vastos horizontes, o Castelo de Palmela é chave do território entre a bacia do Sado e a do Tejo. Uma das pontas do triângulo de defesa de Lisboa do lado Sul, remonta pelo menos à dominação muçulmana. Mas deve ser muito mais antigo, acaso de origem romana ou pré-romana.
Sucessivamente reedificado por D. Afonso Henriques, D. Sancho I e D. Afonso II ampliado por D. João I ainda no século XVII, em tempo de D. Pedro 11 recebeu importantes obras. A posse deste Castelo, fortíssimo, pelo ponto em que está assente tornava-se militarmente de grande importância, por isso servindo de atalaia o posto avançado.
Todavia, o Castelo esteve bastante abandonado e com alguma ruína.
Foi na cisterna da torre de menagem que findou seus dias um dos cúmplices de um grande drama da nossa História: a conjuração do duque de Viseu contra a vida de el-rei D. João II. Foi numa sexta-feira, 22 de Agosto de 1484. Chegou o rei a Setúbal e como o duque o não tivesse esperado aí, antes se tivesse retirado para Palmela onde pousava com sua mãe, mandou-o chamar no dia seguinte fazendo nele justiça pessoalmente e entregando os demais implicados ao braço secular Justiça civil).
Em referência ao Castelo não constam grandes façanhas militares nos séculos seguintes, nem durante as guerras da Restauração, nem posteriormente, antes parece ter estado por longo tempo desguarnecido. Apesar disso, no último quartel do século XVII recebeu uma cinta de muralhas.
A vila não era uma praça de armas nem estava murada. Tinha contudo um Castelo no alto da serra. O Castelo tinha uma alta torre com as suas fortificações, baluartes, casa do governador e quartéis para os soldados que o guarneciam em ocasião de guerra com a sua praça de armas dentro do mesmo, por onde se entrava por uma porta que de noite se costumava fechar.
A torre, formada toda de pedra lavrada, era de cinco quinas. Por cima ameias, para onde se subia por uma escada de pedra que começava dentro de uma casa grande que estava no interior da mesma torre com janela repartida em quatro postigos. Daí se descia por outra escada de pedra para uma cisterna dentro do bojo da mesma torre cuja fundação é do tempo dos romanos, conforme a tradição.
Trata-se de uma das melhores fábricas de arquitectura e fortaleza que tem este reino inexpugnável da sua situação e admirável perspectiva que a todos mostra uma vista magnífica.



The Palmela village was founded 310 before Christ. Palmela seems to be the short name of “palma”, a Latin word that means palm tree leaf or victory. “Palma” expresses also a woman name and “palme”, a male name. However, little is known about Palmela´s history before the conquer of Lisbon by D. Afonso Henriques. It was then abandoned by the Arabs and became in the Christians possession.
Built in a privileged location, the Palmela Castle is a key point between the Sado and Tejo´s basin and was one pf the parts of the defensive triangle of Lisbon. The castle was reconstructed by D. Afonso Henriques, D. Sancho I and D. Afonso II and amplified by D. João I still in the 17th century.
There aren’t many military histories about the Castle in the following centuries, neither during the Restoration wars, nor even afterwards. Nevertheless, in the end of the 17th century were built the castle walls. The castle also had a high tower, bulwarks, the governor house and soldiers quarters, where they would stay in any war occasion.
It is one of the best architectural fortresses, specially known for its location and the magnificent view that it has to offer.

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